• LINHA DE PESQUISA: EPISTEMOLOGIAS DA SUBALTERNIDADE NO CINEMA BRASILEIRO CONTEMPORÂNEO
  • UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA
  • INSTITUTO DE HUMANIDADES, ARTES E CIÊNCIAS PROFESSOR MILTON SANTOS
  • PROGRAMA MULTIDISCIPLINAR DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CULTURA E SOCIEDADE
  • COORDENADOR: MAURÍCIO MATOS DOS SANTOS PEREIRA

O presente campo de investigação acolhe projetos que discutem de forma comparatista diferentes configurações do discurso do subalterno no cinema brasileiro contemporâneo (1990/2000), construindo metodologicamente sistemas de equivalências de tais estruturas com as epistemologias dos mecanismos de construção da relação eu versus outro na cultura política recente, a partir dos anos 1980 – com o final do autoritarismo de Estado e a promulgação da Lei de Anistia, além da emergência da redemocratização no Brasil.

São três as linhas que convergem por intermédio de sistemas comparatistas de discursos na relação do cinema com a história, a sociedade e a cultura políticas. Do ponto de vista histórico, o trabalho do grupo se iniciou com a busca por uma discussão mais sistemática sobre a transição do autoritarismo de Estado ao processo de redemocratização a partir de 1984.

Tal processo não significou o fim dos poderes na vida política no país, mas uma recaptura dos mecanismos de controle biopolítico do subalterno no jogo das forças políticas dominantes. Nesse sentido é que Maria Rezende (1998) destaca que a abertura política foi articulada de dentro da cúpula militar, acompanhada por uma malha de novas relações e de territórios subalternos produzidos em contexto democrático no Brasil.

Do ponto de vista do cinema, interessa, no registro do visível, flagrar os arranjos epistemológicos destes diferentes discursos de construção/localização do outro, produzidos a partir das circunstâncias que estruturaram historicamente a relação com a diferença na história política recente do país. A relação com o subalterno no registro fílmico deixa de estar circunscrita no limite da obra e torna-se um documento histórico produzido pelo cinema brasileiro da retomada (1990) e da pós-retomada (2000).

Do ponto de vista das teorias da subalternidade, tendo em vista a multiplicidade de relações cotidianas nas periferias das grandes cidades brasileiras, marcadas no cinema brasileiro contemporâneo e fora dele por violências as mais diversas sobre os que são submetidos, o presente campo de investigação se apropria das teorias desconstrucionistas da subalternidade e das críticas pós-estruturalistas das epistemologias modernas, demarcando um lugar de crítica da cultura e da sociedade brasileiras na articulação entre o discurso fílmico e suas relações com circunstâncias históricas de produção.